Pé-Diabético SBACVRJ

Caso especial: Uso do silicone líquido no Pé-Diabético: Indicações, Técnicas e Resultados iniciais.

Revista de Angiologia e Cirurgia Vascular - 1992 a 2001 - SBACV/RJ

- Infecção e Pé Diabético

- A Importância da Prevenção das Lesões no Pé Diabético

- O Uso da Câmara Hiperbárica no Tratamento do Pé Diabético

- Pé diabético: perspectivas actuais de diagnóstico e tratamento

- Estudo evolutivo de úlceras venosas e mal perfürante plantar após tratamento tópico com a associação de Sulfadiazina de Prata e Nitrato de Cério


ARTIGO DE REVISÃO

CONSIDERAÇÕES SOBRE O TERMO PE DIABÉTICO
CONSIDERATIONS ABOUT THE NAME "DIABETIC FOOT"

Fernando L. V. Duque1, Alberto C. Duque2

RESUMO
O termo "Pé Diabético" cognominou de forma adequada uma entidade clínico-patológica complexa, o que deu ensejo a sua pronta aceitação e difusão nos meios médico e leigo. Os autores tecem considerações sobre as vantagens, desvantagens e limites do emprego dessa locução.

UNITERMOS
Pé diabético; Terminologia; Conceituação.

SUMMARY
The facility with which the name "Diabetic Foot"was given to a só complex entity was important to allow its compreension not only in medicine, but aiso to patients in general. The advantages and disavantages of this term are discussed.

UNITERMS
Diabetic foot; Term.


INTRODUÇÃO

O diabetes Mellitus primário (DM) é uma doença com forte embasamento genético, parcialmente influenciável pelas condições ambientais, e que consiste em distúrbios dos metabolismos glicídico, lipídico, protídico, hidromineral, hormonal e vitamínico. Desde priscas eras, o dismetabolismo glicídico, o mais evidente desses distúrbios, ficou sendo o apanágio da síndrome. Entretanto, antes que a hiperglicemia se torne patente, é possível reconhecer o DM por uma série de alterações, tais como obesidade precoce, parição de fetos grandes, os distúrbios da menarca e das gonadas, a presença precoce de litíase renal e/ou vesicular, os distúrbios oculares, a facilidade às infecções e a presença de micoses, as dislipidemias, os distúrbios da pressão arterial, as miocardiopatias, as epidermopatias, as angiopatias e, inclusive, distúrbios tróficos tais como sindactilia (Arduino1), as fissuras calcâneas (Duque8), a perna gorda constitucional8, o tipo peculiarde obesidade.

A não dependência absoluta dos distúrbios metabólicos e orgânicos ao aumento da glicose sanguínea parece evidente diante da presença desses distúrbios antes de se instalar a hiperglicemia do diabetes clássico.

Esta independência já foi constatada em relação às doenças cardiovasculares (Jarret 11,12 e Panzram 21) e pode ser presumida pela não correlação linear entre a gravidade e o controle da hiperglicemia e a incidência de suas "complicações" retinianas, renais, neurais e vasculares.

A disgenia DM alcança todos os tecidos, órgãos e aparelhos do corpo. Os pés não fogem à regra e, precoce e intensamente, ocorrem alterações em todos os seus componentes (veias, artérias, linfáticos, ossos, articulações, músculos, pele, fâneros e nervos). O comprometimento tecidual, agravado pelos traumas e pela vulnerabilidade do DM às infecções, gera quadros clínicos complexos que são englobados, sinteticamente, sob a denominação de "Pé Diabético".

A locução, impropriamente derivada do linguajar anglosaxão tem, entretanto, precedentes no jargão médico, inclusive no Brasil.


  1. Professor Titular do Curso de Pós-Graduação da PUC-RJ. Chefe do Ambulatório de Angiologia da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Sócio Benemérito da SBACV.
  2. Professor Livre-Docente em Angiologia e Cirurgia Vascular pela UFG. Chefe do Serviço de Cirurgia Vascular do IEDE. Sócio Titular da SBACV e do CBC.
 

 

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